Artigo de Opinião

A Investigação no centro do Pacto Ecológico Europeu

Mobilizar a ciência e a inovação para a agenda climática será um dos grandes desafios do país.

Com o objetivo de tornar a Europa o primeiro continente climaticamente neutro até 2050, a Comissão Europeia apresentou o Pacto Ecológico Europeu, em 2019. Esta estratégia ambiciosa com foco na sustentabilidade económica, social e ambiental foi criada para responder à crise climática, protegendo a biodiversidade e ecossistemas únicos da Europa, acelerando a recuperação da economia.

Para tal, o campo da Investigação e Inovação é definido como essencial para o cumprimento das metas estabelecidas, de modo a acelerar a dupla transição ecológica e digital, através da demonstração e implementação de soluções inovadoras, enquadradas no contexto do mundo real. Esta vertente científica é transversal aos oito domínios temáticos do European Green Deal (ambição climática; energia limpa, acessível e segura; economia circular; edifícios eficientes em termos de energia e recursos; mobilidade sustentável e inteligente; agricultura sustentável; biodiversidade e ecossistemas; e poluição zero) e irá requerer um reforço e consolidação da investigação e desenvolvimento tecnológico, de forma a fomentar a contribuição europeia no combate às alterações climáticas.

Mobilizar a ciência e a inovação para a agenda climática será um dos grandes desafios do país. Por um lado, ainda é necessário mudar mentalidades, tanto pública como política, face a questões ambientais e ecológicas, por outro, o campo de investigação e desenvolvimento (I&D) nacional apresenta algumas fragilidades, reconhecidas na Estratégia Portugal 2030. Um dos constrangimentos apontados por este documento estratégico é o facto da “investigação realizada em Portugal e o conhecimento gerado têm sido muito orientados para o aumento do stock de conhecimento na comunidade científica, com um menor enfoque na inovação e no desenvolvimento de soluções que envolvam as empresas e na criação de produtos que cheguem ao mercado, falhando muitas vezes em responder aos desafios reais”. Para além disso, existem áreas temáticas onde as lacunas de informação técnico-científica são evidentes, traduzindo-se na dificuldade de resposta a determinados desafios sociais, económicos e, principalmente, ambientais. De modo a reverter esta situação, um dos eixos estratégicos do Portugal 2030 é “Inovação e Conhecimento”, de modo a “assegurar as condições para competitividade empresarial e o desenvolvimento de base científica e tecnológica nacional para uma estratégia sustentada na inovação”.

A promoção da investigação científica e inovação tecnológica em todos os sectores, bem como a capacitação dos cidadãos (isto implica também a aproximação da ciência ao público em geral), são considerados como motores do Pacto Ecológico Europeu, pois irão permitir a implementação e demostração de novas tecnologias, novas soluções e novas metodologias face aos desafios climáticos globais, reconhecendo que o conhecimento é a base do desenvolvimento económico sustentável e essencial para criar uma sociedade mais equitativa, aberta à descoberta e às mudanças de perspetiva.

Publicado por:

Adriana Gonçalves

Data de Publicação:

26 Fev, 2021 às 14:59

(Editado: 26 Fev, 2021 às 15:01)

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