Artigo de Opinião

Dia Mundial da Conservação da Natureza

Dar a conhecer o território é a melhor forma de o preservar!

A celebração do Dia Mundial da Conservação da Natureza, pretende sensibilizar a sociedade civil para as questões ambientais, especificamente no que diz respeito à conservação da natureza e à promoção do uso sustentável dos recursos biológicos.

Além de uma homenagem aos movimentos associativos de defesa do ambiente, é simbolicamente refletido neste dia, os atuais desequilíbrios nos ecossistemas que se têm traduzido na extinção de espécies e na degradação de habitats.

O arquipélago da Madeira possui uma grande diversidade de paisagens, património geológico e biodiversidade e, dentro desta, destaca-se um elevado número de endemismos de importante valor, do ponto de vista biogeográfico e/ou genético. Sendo a biodiversidade entendida como a diversidade genética, de espécies e de ecossistemas, ela suporta o fornecimento de bens (como o oxigénio, alimentos, medicamentos, roupas, materiais de construção, pesticidas) e serviços públicos (como a purificação de águas, regulação do clima, controlo de cheias, polinização, fertilização do solo, etc.) cuja importância é hoje demonstrada como essencial para o bem-estar humano (…). (ICNF.pt)

Particularmente, a área marinha, costeira e arribas do Cabo Girão, distingue-se no território madeirense pelo seu valor natural e paisagístico, valendo-lhe a classificação de Área Protegida desde março de 2017. Nesta Área Protegida, podem ser encontradas espécies marinhas e costeiras nativas, formações vegetais naturais de elevado interesse, zonas de nidificação e repouso da avifauna marinha, um dos mais admiráveis monumentos geológicos do arquipélago, bem como, um particular património histórico, cultural e paisagístico.

Além das classificações de Parque Natural Marinho, Monumento Natural e Paisagem Protegida do Cabo Girão, respetivamente integrados nas categorias da International Union for Conservation of Nature (IUCN), integra também esta área, a classificação de Sítio de Importância Comunitária. Esta distingue-se como um Sítio que contribui de forma significativa para manter ou restabelecer um tipo de habitat natural do anexo B-I ou de uma espécie do anexo B-II, num estado de conservação favorável.

No GIRO - Projeto de Valorização da Área Protegida do Cabo Girão, de entre os 312 resultados gerados (ano 2019) pelo Sistema de Monitorização em Área Protegida – Cabo Girão (SMAP-CG), destaca-se para este dia, os resultados dos indicadores: Total de Espécies (domínio marítimo e terrestre), Espécies com estatuto de proteção e Habitats com estatuto de Proteção.

Até ao ano de 2019, estão registadas 122 espécies nesta área protegida, 72 destas em domínio terrestre e 50 em domínio marinho. Do total, 32 são Espécies com estatuto de proteção, como é exemplo o Hippocampus hippocampus, de nome comum cavalo-marinho, enquadrante na Convenção OSPAR, Convenção de Berna, CITES e Convenção de Barcelona.

Dos 5 Habitats com estatuto de proteção na Área Protegida do Cabo Girão, importa realçar a presença de campos Maërl (ou campos rodólitos). A importância ecológica dos fundos onde ocorrem estas comunidades deve-se à grande diversidade de fauna e flora que albergam e ao grande número de nichos ecológicos gerados pela sua estrutura tridimensional. Dada a sua importância, existe atualmente inúmera regulamentação destinada à conservação deste recurso pouco renovável e de crescimento extremamente lento, nomeadamente, Diretiva Habitats (categoria 1170 Recifes), a Convenção de Berna, a rede EUNIS e a lista inicial da OSPAR de espécies e habitats ameaçados e/ou em declínio.

Além dos campos Maërl, estão identificados outros habitats com importante valor de conservação, especificamente, plantas dispersas da espécie de farenogâmica marinha Cymodocea nodosa e uma espécie de macroalga, Avrainvillea canariensis.

Considerando as atividades de foro científico a decorrer, é previsto que haja novos assinalamentos a registar no ano de 2020, sobretudo fruto do projeto GIRO e a monitorização no recife artificial Corveta Afonso Cerqueira pelos investigadores Cláudia Ribeiro e Pedro Neves.   

Mas, porque precisamos de “registar” em espaços protegidos?

A resposta é simples, os “Dados” são uma verdadeira “riqueza” para a área das ciências geográficas, mas não só! A saúde, a mobilidade, a educação, o turismo e a ciência, são alguns dos muitos exemplos em que estes dados são imprescindíveis. Estes servem de alavancas estratégicas para a gestão eficiente dos espaços naturais, evitando episódios de sobrecarga e impactos ambientais significativos que podem comprometer os objetivos de conservação.

Além de que, os dados gerados podem fomentar a investigação multidisciplinar no espaço e o desenvolvimento económico sustentável na costa.

A conservação da natureza é assim um assunto de todos e para todos! E só um trabalho conjunto entre investigadores, administração local, associações, atividades económicas e cidadãos podem ser alcançados bons resultados.

Publicado por:

Ana Sofia Pinto Neves

Data de Publicação:

28 Jul, 2020 às 11:42

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